Nuno
Bragança
O
livro, intitulado com o nome, “noite e o riso” surge em 1969 e constitui uma
nova novidade literária pelo desafio que faz ao modo de construção de uma
narrativa tradicional.
Um
tríptico, na pintura, é um conjunto de 3 painéis, um central e dois laterais
com temática, em geral, relacionado com o central.
O
escritor evidência, nos seus textos ideias, tais como: a literatura e a busca
de uma sociedade mais justa. Ideias sempre nortadas por uma visão cristã do
mundo (visão sempre muito destacada), entendendo os valores cristãos com
pilares da justiça, que repudiam a repressão e o ódio. O seu texto funciona
como grito interior, sendo o despertar de uma inquietação. Ora, a hora esta
dividida em três Painéis.
I-Painel
Este
primeiro Painel, expressão singular, “criada embora entre hábitos de faisão”,
cedo me especializou na arte de estender os braços”, aludindo aqui a infância
do eu/narrador, vivido no seio de uma família aristocrata, que renuncia à
cultura artística, cujas regras conduzem a um percurso de romper. A necessária
e urgente, transmitir essa inquietação vivida que entusiasma o narrador.
Na
análise que faz as relações Família-Criança, Nuno Bragança põem em questão todo
o processo educacional estabelecido no seu tempo que é baseado na competição e
não na cooperação. O desajustamento da criança com as regras que são
instituídas e a imposição dessas normas são motivo de um sarcasmo e de troça cruel
que impõem o ritmo do discurso, sempre variável, bem como a escolha de palavras
ou expressões cómicas que escondem a sua comicidade numa aparente rigidez.
A
construção do discurso do primeiro painel assenta na ironia fina, acompanhada
por uma criatividade a nível semântico e por uma arbitrariedade na sintaxe,
eximiamente exploradas pela disposição do eu-narrador para criar obstáculos da
leitura, e ao mesmo tempo, seduzir. Tudo é justificação para a sua obsessão
pela escrita, então avança com uma escrita de inquietação e de interpretação. A
inquietação foca o fundamentalismo o tema da mote, cujos contornos são bastantes
visíveis logo na dedicatória. O livro é dedicado a Carolina Fonseca Caupers,
mãe de primeira esposa do escritor, porque “foi uma pessoa que me ensinou como
se morre”. A filosofia existencialista revela-se aqui como uma das bases
possíveis de análise da obra.
II-Painel
O
primeiro painel é preenchido, por uma infância imposta junto da Família. Este painel,
por sua vez, o qual corresponde no tríptico ao painel central, aparece o mesmo
eu/narrador noutra fase, isto é, exprimindo conhecimentos advindos da sua actividade
de viajante (com Simão e Gaspar), para posteriormente, atingir o auge com a
rapariga do canavial, Luísa Estrela e Zana.
No
capítulo intitulado a Zana, Bragança introduz uma carta, género literário tão
ao gosto do Romantismo português, onde recorda o seu passado com Zana.
O
texto de Nuno Bragança nutre-se com a expressão do feminino, logo a ausência
deste capítulo estimula, incute nas palavras um estado moribundo que se vai intensificando
até ao final do romance.
Anabela, aparece para substituir Zana, a
presença paliativa, força para tentar inverter a curva descendente. Todavia, o
homem não consegue iludir o leitor, visto que deixa escapar os sintomas da
solidão que o atravessa. Este painel e extremamente sóbrio e distante.
III-Painel
A
conclusão do tríptico, terceiro painel, inicia-se com uma só frase, numa página
em branco: “ Escrevo isto debaixo de um freixo que por acaso é um pinheiro
seco” pode considerar se um titulo a todo o painel, que desenha uma metáfora de
auto reflexividade literária, perfeitamente supérflua para a exegese do
derradeiro painel.
O
combate do eu/sociedade volta a estar novamente no centro do painel. Exige-se
mais do que nunca, aqui, ao leitor um esforço suplementar para enfrentar as
ideias fragmentárias que vão nascendo, no painel.
Constata-se,
neste ultimo painel, um ressurgimento de temas que consagram outros testos
anteriormente apresentados sob a forma de paródia. Agora, com pinceladas leves,
a condição da mulher, o Estado, a justiça, as condições e desigualdades
sociais, a imbecilidade da opulência, marcam presença. Neste terceiro painel, o
narrador foge do nexo para apalpar a realidade, procurando transmitir a sua
ausência na realidade. Estas reflexões são espelhos da realidade.
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