Por que motivo se rebelam os pagãos?
Entrar neste conto de Flannery
O´Connor é como entrar num edifício cristão onde as palavras se revelam e nos
permitem olhar aquilo que já conhecemos em outros momentos ou em outras passagens.
A começar pelo olhar ferido com
que olhamos estes momentos dolorosos encontrados na morte e na crucificação de Cristo,
desgraça essa que desperta para o implacável, para o impressionante da vida, surge-nos
um caminho de esperança - o momento de chegar a casa e reencontrar aqueles que
mais amamos e que nos esperam… sentido a forte respiração por um momento especial
que raras vezes acontece nas nossas vidas.
Passando pelos dedos, que marcam
e demarcam a experiência de cada um, como quem marca um parágrafo do livro
quando pára, pensando e dando sentido às palavras que o atravessam, numa busca
desmedida de sentido para explicar todo o momento da paixão.
Os sentimentos fortes que se
sentem num caminho, numa experiência que abre horizontes, que demarca as nossas
faces com lágrimas e que num momento de morte olha, olha para o alto como quem
se entrega por inteiro. E nesta forte experiência o rosto da mãe endurece ainda
mais, o coração aperta, a boca transforma-se em indignação e a cabeça treme,
uma “revelação instantânea de que o filho não tinha lar. Não tinha lar aqui e não
tinha lar em lado algum”.
Este homem, diferente, que se
ocupava de trivialidades, de temas que não faziam sentido, que apresenta um
amor que deve ser “pleno de fúria”, que adverte aqueles que não sabem o que
fazem na casa de seu pai, daí que se apresente como um general - que julga os
vivos e os mortos, denominado de Jesus.
Antonino Gomes de Sousa
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