quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Por que motivo se rebelam os pagãos?
Entrar neste conto de Flannery O´Connor é como entrar num edifício cristão onde as palavras se revelam e nos permitem olhar aquilo que já conhecemos em outros momentos ou em outras passagens.
A começar pelo olhar ferido com que olhamos estes momentos dolorosos encontrados na morte e na crucificação de Cristo, desgraça essa que desperta para o implacável, para o impressionante da vida, surge-nos um caminho de esperança - o momento de chegar a casa e reencontrar aqueles que mais amamos e que nos esperam… sentido a forte respiração por um momento especial que raras vezes acontece nas nossas vidas.
Passando pelos dedos, que marcam e demarcam a experiência de cada um, como quem marca um parágrafo do livro quando pára, pensando e dando sentido às palavras que o atravessam, numa busca desmedida de sentido para explicar todo o momento da paixão.
Os sentimentos fortes que se sentem num caminho, numa experiência que abre horizontes, que demarca as nossas faces com lágrimas e que num momento de morte olha, olha para o alto como quem se entrega por inteiro. E nesta forte experiência o rosto da mãe endurece ainda mais, o coração aperta, a boca transforma-se em indignação e a cabeça treme, uma “revelação instantânea de que o filho não tinha lar. Não tinha lar aqui e não tinha lar em lado algum”.
Este homem, diferente, que se ocupava de trivialidades, de temas que não faziam sentido, que apresenta um amor que deve ser “pleno de fúria”, que adverte aqueles que não sabem o que fazem na casa de seu pai, daí que se apresente como um general - que julga os vivos e os mortos, denominado de Jesus.

Antonino Gomes de Sousa 

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