terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Uma perspectiva do conto "Por que motivo se rebelam os pagãos?"
No conto "Por que motivo se rebelam os pagãos?" de Flannery O'Connor, procurarei abordar brevemente a relação entre a mãe e o filho, Walter. A mãe sofre com o filho. Julga tê-lo perdido. Teme já não o conhecer. Esta relação entre mãe e filho traz-me à memória a perda e reencontro de Jesus no Templo entre os Doutores. Também aí, ao encontrar Jesus, Sua Mãe pergunta: “Filho, porque procedeste assim connosco? Não sabias que Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura?” (Lc 2, 41-52). A comparação entre estas duas Mães e estes dois Filhos é certamente arriscada, mas poder-se-á desenvolver.
De facto, há alguns pontos de contacto entre a Mãe e Nossa Senhora: de Nossa Senhora, sabemos que “guardava todas as coisas em seu coração”, isto é, todos os acontecimentos que contemplava eram meditados em silêncio, não entendendo tudo mas aceitando e procurando compreender os desígnios de Deus. Inclusivamente, no episódio da perda do Jesus no templo, Maria apercebe-se de que o Filho reencontrado, embora submisso, está diferente. De forma semelhante, sabemos neste conto que “o coração da mãe apertou-se” (pág. 188), ao ouvir a resposta de Walter. Igualmente ficou gravado no seu espírito aquela passagem que encontrara no chão da casa de banho. Este coração da mãe que acolhe os acontecimentos, que se gravam no seu espírito, é um coração mariano, inquieto perante a vida do filho.
Também há algum paralelismo entre Walter e Jesus. Walter diz: “Julgava que estava na minha casa (pág. 188)”. Jesus respondeu aos seus pais, quando estes O encontraram no templo: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar na casa de Meu Pai?”. A referência à casa, ao próprio lugar, o caminho rumo à descoberta de si mesmo, é comum entre Jesus e Walter.
Por outro lado, como exemplo duma possível contra-argumentação, poder-se-ia alegar que Walter “tinha ar de quem aguarda um grande acontecimento e não deita mãos a obra nenhuma” e Jesus, pelo contrário, na sua vida oculta trabalhou com seu pai, S. José, não caindo na ociosidade.
Certamente muito mais se poderia dizer, mas ficarei por aqui, até porque não é esse o objectivo deste comentário.
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