«Eu levo a minha poesia muito a sério. Para mim é uma questão de vida ou de
morte.»
Adília Lopes, poetisa, cronista e tradutora,
é o pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira,
nascida em Lisboa a 20 de Abril de 1960. «A Adília surgiu com um poema que
escrevi no meu diário quando uma gata minha, a Faruk, desapareceu», contou numa
entrevista a Carlos Vaz Marques. Começou por frequentar dois colégios de
freiras, no ensino primário, e acabou a cursar Física, na Faculdade de Ciências
de Lisboa, licenciatura que abandonou, quase completa, devido a uma psicose
esquizo-afectiva.
Concorre em 1983 a um Prémio de Prosa da
APE, para o qual um amigo lhe sugere o pseudónimo por que ficará conhecida, e
envia poemas para a editora Assírio & Alvim, que remete dois deles para o
seu Anuário de Poesia: Autores não Publicados de 1984. Começa uma nova
licenciatura, de Literatura e Linguística Portuguesa e Francesa (1983-1988), na
Faculdade de Letras de Lisboa, e publica o seu primeiro livro de poemas em
edição de autor, Um jogo bastante perigoso (1985).
Ao longo do curso, Adília Lopes publicou quatro
livros de poesia, entre os quais O Poeta de Pondichéry (1986) – a sua
obra mais traduzida, O decote da dama de espadas (1988), reunião de
poemas redigidos entre 1983 e 1987, louvado por vários críticos. Terminada a
licenciatura, foi bolseira do Instituto Nacional de Investigação Científica
(1989-1992), tendo trabalhado no Centro de Linguística da Universidade de
Lisboa.
Entre 1992 e 1997 faz publicar cinco livros de poesia, um dos quais em prosa (A bela acordada), e especializa-se em Ciências Documentais (1995) na Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou nos espólios de Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio e José Blanc de Portugal. Foi-lhe atribuída, em 1999, uma bolsa de criação literária do IPLB [Instituto Português do Livro e das Bibliotecas], apoio que lhe permitiu trabalhar para o teatro e «arrumar» a sua «arca» de dispersos e inéditos. A companhia de teatro Sensurround, de Lúcia Sigalho, levou então à cena um espectáculo baseado em textos seus intitulado A Birra da Viva, obra central (e única a ser encenada) da trilogia A Caixa em Tóquio. A bolsa permitiu ainda a publicação de três livros, sendo Sete rios entre campos, provavelmente, a sua obra mais autobiográfica. No ano seguinte, foi publicado Obra, reunião dos quinze livros de poesia de Adília Lopes, com ilustrações de Paula Rego.
Entre 1992 e 1997 faz publicar cinco livros de poesia, um dos quais em prosa (A bela acordada), e especializa-se em Ciências Documentais (1995) na Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou nos espólios de Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio e José Blanc de Portugal. Foi-lhe atribuída, em 1999, uma bolsa de criação literária do IPLB [Instituto Português do Livro e das Bibliotecas], apoio que lhe permitiu trabalhar para o teatro e «arrumar» a sua «arca» de dispersos e inéditos. A companhia de teatro Sensurround, de Lúcia Sigalho, levou então à cena um espectáculo baseado em textos seus intitulado A Birra da Viva, obra central (e única a ser encenada) da trilogia A Caixa em Tóquio. A bolsa permitiu ainda a publicação de três livros, sendo Sete rios entre campos, provavelmente, a sua obra mais autobiográfica. No ano seguinte, foi publicado Obra, reunião dos quinze livros de poesia de Adília Lopes, com ilustrações de Paula Rego.
O estilo da poetisa, aparentemente coloquial
e naïf, está repleto de jogos fonéticos, associações livres, rimas infantis e
idiomas estrangeiros. Os temas do quotidiano, principalmente femininos e
domésticos, são tratados com humor e auto-ironia, candura e crueza, inteligência
e intencionalidade: «há sempre uma grande carga de violência, de dor, de
seriedade e de santidade naquilo que escrevo». É Adília, católica praticante
que por vezes transporta uma profunda religiosidade para o que escreve, que se
define a si própria como «tímida desenrascada» ou «freira poetisa barroca».
Bibliografia Activa
·
Anuário de Poesia. Autores não publicados. 1984 (antologia poética) (em
colaboração com vários), 1984
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