quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Adília Lopes



«Eu levo a minha poesia muito a sério. Para mim é uma questão de vida ou de morte.»
Adília Lopes, poetisa, cronista e tradutora, é o pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, nascida em Lisboa a 20 de Abril de 1960. «A Adília surgiu com um poema que escrevi no meu diário quando uma gata minha, a Faruk, desapareceu», contou numa entrevista a Carlos Vaz Marques. Começou por frequentar dois colégios de freiras, no ensino primário, e acabou a cursar Física, na Faculdade de Ciências de Lisboa, licenciatura que abandonou, quase completa, devido a uma psicose esquizo-afectiva.
Concorre em 1983 a um Prémio de Prosa da APE, para o qual um amigo lhe sugere o pseudónimo por que ficará conhecida, e envia poemas para a editora Assírio & Alvim, que remete dois deles para o seu Anuário de Poesia: Autores não Publicados de 1984. Começa uma nova licenciatura, de Literatura e Linguística Portuguesa e Francesa (1983-1988), na Faculdade de Letras de Lisboa, e publica o seu primeiro livro de poemas em edição de autor, Um jogo bastante perigoso (1985).
Ao longo do curso, Adília Lopes publicou quatro livros de poesia, entre os quais O Poeta de Pondichéry (1986) – a sua obra mais traduzida, O decote da dama de espadas (1988), reunião de poemas redigidos entre 1983 e 1987, louvado por vários críticos. Terminada a licenciatura, foi bolseira do Instituto Nacional de Investigação Científica (1989-1992), tendo trabalhado no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.
Entre 1992 e 1997 faz publicar cinco livros de poesia, um dos quais em prosa (A bela acordada), e especializa-se em Ciências Documentais (1995) na Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou nos espólios de Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio e José Blanc de Portugal. Foi-lhe atribuída, em 1999, uma bolsa de criação literária do IPLB [Instituto Português do Livro e das Bibliotecas], apoio que lhe permitiu trabalhar para o teatro e «arrumar» a sua «arca» de dispersos e inéditos. A companhia de teatro Sensurround, de Lúcia Sigalho, levou então à cena um espectáculo baseado em textos seus intitulado A Birra da Viva, obra central (e única a ser encenada) da trilogia A Caixa em Tóquio. A bolsa permitiu ainda a publicação de três livros, sendo Sete rios entre campos, provavelmente, a sua obra mais autobiográfica. No ano seguinte, foi publicado Obra, reunião dos quinze livros de poesia de Adília Lopes, com ilustrações de Paula Rego.
O estilo da poetisa, aparentemente coloquial e naïf, está repleto de jogos fonéticos, associações livres, rimas infantis e idiomas estrangeiros. Os temas do quotidiano, principalmente femininos e domésticos, são tratados com humor e auto-ironia, candura e crueza, inteligência e intencionalidade: «há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo». É Adília, católica praticante que por vezes transporta uma profunda religiosidade para o que escreve, que se define a si própria como «tímida desenrascada» ou «freira poetisa barroca».


Bibliografia Activa

·         Anuário de Poesia. Autores não publicados. 1984 (antologia poética)  (em colaboração com vários), 1984
·         Um jogo bastante perigoso  (poesia), 1985
·         O poeta de Pondichéry  (poesia), 1986 ; 1998
·         O marquês de Chamilly (Kabale und Liebe) (poesia), 1987
·         O decote da dama de espadas (romances) (poesia), 1988
·         Os 5 livros de versos salvaram o tio  (poesia), 1991
·         Maria Cristina Martins  (poesia), 1992 ; 1998
·         O peixe na água  (poesia), 1993
·         A continuação do fim do mundo  (poesia), 1995
·         A bela acordada  (prosa poética), 1997
·         Clube da poetisa morta  (poesia), 1997
·         Florbela Espanca espanca  (poesia), 1999
·         Sete rios entre campos  (poesia), 1999
·         Irmã barata, irmã batata  (poesia), 2000
·         Klub der toten Dichterin  (poesia)  (em colaboração com Elfriede Engelmayer), 2000
·         Lua negra. Dark moon  (desenhos e ensaios)  (em colaboração com vários), 2000
·         Obra  (antologia), 2000
·         Quem quer casar com a poetisa? (antologia), 2001
·         Rimas de berço  (álbum ilustrado)  (em colaboração com Paula Rego), 2001
·         A mulher-a-dias  (poesia), 2002
·         Antologia  (antologia), 2002
·         César a César  (poesia), 2003
·         Caras baratas  (antologia), 2004
·         Poemas novos  (poesia), 2004
·         Au pain et à l'eau de Cologne  (poesia)  (em colaboração com VV AA), 2005
·         Dobra: poesia reunida, 2009

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