Cansado pela faina,
Que hoje nada deu,
Olho para as mãos, calejadas
e frias.
É negra a noite, o desespero,
Os putos famintos,
A mulher chorosa.
E olho para cima,
Nas bordas do Sítio
Vigias o mar. Oro.
Regresso à praia,
Os bois agitam-se,
Olho para as mãos, gélidas
e feridas.
É clara a manhã, o sono,
Os putos na escola,
A mulher na praça.
E olho para cima,
Nas bordas do Sítio
Vigias a praia. Oro.
Chego da lota,
A boca é muda,
Olho para as mãos, magoadas
e vazias.
É sombria a tarde, chuvosa,
Os putos pedem comida,
A mulher chora de novo.
E olho para cima,
Nas bordas do Sítio
Vigias a vila. Oro.

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