Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15;
publicado em Atena nº 5 de Fevereiro de 1925.
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| Cópia do original dactiloscrito por Fernando Pessoa, gentilmente cedido pelo Professor José Barreto à Casa Fernando Pessoa, disponível em http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2246 |
Fernando António Nogueira Pessoa nasce em Lisboa, na freguesia dos
Mártires, no número 4 do Largo de São Carlos, a 13 de Junho de 1888. O
falecimento de seu pai obriga a família a leiloar parte dos seus bens. Sua mãe
casa, por procuração, com cônsul de Portugal em Durban, na Àfrica do Sul, para
onde se muda com a família.
A partir de 1901, já tendo criado alguns heterónimos, tais como
Search, Pessoa escreve os seus primeiros poemas, em inglês. Em 1903, submete-se
ao exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Não obtém uma boa
classificação, mas tira a melhor nota no ensaio de estilo inglês entre os 899
candidatos.
Em 1904 termina os estudos na África do Sul regressa a Portugal,
em 1905, fixando-se em Lisboa, onde se matricula no Curso Superior de Letras,
que abandona em 1907. É a partir desta data que começa a sua intensa actividade
literária, continuando a escrever poemas em inglês. Em 1914, cria mais
heterónimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares…
Vai assinando as suas obras de acordo com a personalidade de cada heterónimo. É
também neste ano que escreve o Livro do Desassossego.
Inicialmente simpatizante da Renascença Portuguesa, afasta-se
depois, e, em 1915, com Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros entre outros,
esforça-se por renovar a literatura portuguesa através da criação da revista Orpheu, veículo de novas ideias e novas
estéticas. Em 1924 surge a revista Atena,
dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz e em 1927 torna-se colaborador da
Revista Presença. A sua Mensagem é publicada em 1934.
No dia 29 de Novembro de 1935, é internado com o diagnóstico de
cólica hepática, causada por uma cirrose hepática (embora esta tese hoje seja
posta em causa por alguns estudiosos). Escreve, em inglês, uma derradeira frase
: "I know not what tomorrow will bring". Morre no dia 30, com 47
anos, deixando grande parte da sua obra (Segundo a inventariação,
promovida pelo Ministério da Educação Nacional, e que terminou em julho de
1972, compreende, além de 29 cadernos de variado conteúdo, 25.426
originais) ainda inédita.

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